É possível mensurar fenômenos subjetivos?

É possível mensurar fenômenos subjetivos?

Você que é profissional de RH sabe a importância de encontrar colaboradores que tenham o perfil aderente à cultura organizacional da empresa, não é?

Pensando em explicar mais um pouquinho para vocês sobre a análise de perfil e sua relevância para empresas, nós da Rankdone conversamos com o doutor em psicometria, Vithor Franco.

O dr Vithor escreveu um artigo bem interessante sobre fenômenos subjetivos e se é possível mensurá-los. Mas espera, você sabe o que são fenômenos subjetivos? Não? Então continue lendo esse artigo e saiba tudo sobre esse assunto.

 

O que são fenômenos subjetivos?

Centímetro, graus Celsius, quilograma, quilômetro, entre outros. Várias são as medidas que foram derivadas da física e que usamos no dia a dia para compreender os fenômenos naturais a nossa volta. Mas e os fenômenos psíquicos e sociais, também conhecidos como fenômenos subjetivos? Podem estes fenômenos serem igualmente acessados? Os fundamentos e desenvolvimentos técnicos da psicometria nos sugerem que sim. A psicometria é um campo de estudo dentro da psicologia voltado ao desenvolvimento de teorias e técnicas de mensuração.

De forma mais específica, pesquisadores e profissionais da psicometria desenvolvem métodos analíticos e instrumentos psicométricos usados para avaliar comportamentos ou construtos. Construtos são objetos que existem idealmente, mas não podem ser observados diretamente. Entre construtos bem conhecidos das ciências físicas estão o centro de massa de um objeto e o conceito de força. Nas ciências humanas e sociais, construtos como a inteligência, a personalidade, as atitudes, os transtornos psicopatológicos, entre tantos outros, são conhecidos inclusive no linguajar cotidiano.

 

É possível mensurar fenômenos subjetivos?

Nota-se a partir dessa introdução que construtos não podem ser observados diretamente. Por exemplo, não é possível “ver” a inteligência de um indivíduo. No entanto, os efeitos dos construtos geralmente são observáveis. Por exemplo, podemos observar que algumas pessoas têm maior capacidade de inferir conclusões a partir de informações iniciais do que outras. Dizemos que essas pessoas com maior capacidade são “mais inteligentes”. A ideia de uso de construtos na ciência é fundamental para se definir processos de tomada de decisão no mundo real, mesmo que esteja se tratando de algo que “não existe” no mundo físico.

Esse processo é similar às cores que são observadas em telas de aparelhos televisivos e computadores. Essas telas são compostas de diodos que emitem as cores vermelho, verde e azul. No entanto, o nosso corpo infere milhares de outras cores a partir das combinações dessas três cores básicas. As cores que vemos na nossa televisão ou computador “não existem”, mas conseguimos observá-las quando assistimos ao nosso programa preferido. Nesse sentido, o principal fundamento da psicometria é usar comportamentos observáveis como forma de inferir a magnitude de um fenômeno não observado. 

 

Mas como isso é possível?

Como tudo que tem algum fundamento científico, é necessário que haja uma teoria e um conjunto de pressupostos para se fundamentar os procedimentos que são desenvolvidos. No caso da psicometria, a principal teoria a fundamentar as práticas da área é a Teoria da Variável Latente (TVL). O primeiro pressuposto da TVL é que fenômenos subjetivos (como o clima organizacional, a depressão, as emoções e outros) podem ser mensurados, mas sempre haverá algum tipo de erro atrelado à medida. Um erro de medida ocorre quando subestimamos ou superestimamos o valor de uma medida. Por exemplo, se uma caneta mede 20 centímetros, mas a nossa régua de madeira diz que ela mede 22 centímetros, então nossa régua de madeira está superestimando o tamanho da caneta.

Agora, se eu quero medir a mesma caneta com uma régua de alumínio, mas essa régua diz que a caneta mede 18 centímetros, então esta régua de alumínio está subestimando o tamanho da caneta. Assim, quando se diz que a TVL assume a presença de erros de medida se quer dizer que as medidas feitas nas ciências sociais e comportamentais sempre estarão subestimando ou superestimando o que se pretende medir. Isso pode parecer ruim, dado que geralmente não se quer usar medida super ou subestimada. No entanto, o segundo pressuposto da TVL diz que os efeitos das sub ou superestimações se cancelam ao se usar diversos meios para se medir um mesmo fenômeno.

Por exemplo, se tirarmos as médias das medidas feitas pelas réguas de madeira e de alumínio (22 centímetros e 18 centímetros, respectivamente) nos exemplos anteriores, então se chega ao valor de 20 centímetros, o valor correto do comprimento da caneta. Isso justifica o porquê de instrumentos para acessar o clima organizacional, desempenho, atitudes, personalidade, inteligência, e tantos outros possuem uma grande quantidade de itens. Quanto mais itens, maior a garantia que as notas ou medidas geradas por esses instrumentos irão refletir corretamente o que se pretende medir.

Esses dois simples pressupostos foram suficientes para se desenvolver um grande conjunto de técnicas estatísticas (desde a análise fatorial até à teoria de resposta ao item) que podem ser usados para se acessar a qualidade dos instrumentos de medida de fenômenos subjetivos. Apesar dessas técnicas de análise serem tema para outro texto, aqui é importante salientar que apesar dos fenômenos mensurados serem considerados subjetivos, pode-se concluir que as medidas em si não têm nada de subjetivas.

Na verdade, os primórdios da psicometria vêm do século XIX, a partir dos trabalhos de cientistas como Francis Galton, Alfred Binet, James Cattell, Johann Herbart, Gustav Fechner e tantos outros. No início do século XX, a psicometria se consolidou como uma área de estudo dentro da psicologia pelos trabalhos pioneiros de Louis Thurstone e Charles Spearman, os quais estabeleceram os primeiros fundamentos para a TVL. Pode se dizer que as principais práticas psicométricas modernas são ainda fortemente influenciadas pelo que se estabeleceu como os fundamentos da área por Louis Thurstone.

Além disso, não apenas a psicologia se aproveitou desses métodos. Biologia, marketing, pesquisa operacional, finanças, física e até mesmo a moderna área do aprendizado de máquina são influenciados pelos métodos desenvolvidos pelos psicólogos do início do século XX para se desenvolver medidas robustas para fenômenos complexos. 

 

E como funciona na prática?

Um exemplo moderno de aplicação derivada de insights provenientes da psicometria são os sistemas de recomendação. Um exemplo de sistema de recomendação é avaliação de relevância de filmes de plataformas de streaming. Como uma plataforma de streaming pode saber qual a relevância de um filme ou série para você, sendo que você nunca assistiu àquele filme ou série específico e nunca disse explicitamente à plataforma quais tipos de filme ou séries você gosta? Apesar de uma resposta exata a esta pergunta fuja ao escopo deste texto, basta dizer que, baseados nos modelos tradicionais da psicometria, modelos modernos de aprendizagem de máquina usam padrões comportamentais para se inferir sobre um construto: a sua atitude em relação a tipos específicos de filmes.

 

Esse é o primeiro artigo de uma série de artigos que lançaremos para ajudar profissionais de RH – e simpatizantes – a entenderem melhor sobre psicometria, análise de perfil e como utilizá-lo em processos seletivos. Então fique antenado e até a próxima!

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Joyce Bambach Luiz
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Gerente de Marketing e Relacionamento da 4Linux e da Rankdone, com mais de 11 anos de experiência no segmento de tecnologia.

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