Seis anos depois da pandemia, quando fomos forçados a ficar em casa e trabalhar de forma
remota, ainda existe a pergunta se o modelo aumenta ou diminui a produtividade. Depois dessa
mudança abrupta, muitas empresas optaram por manter o modelo híbrido alegando
produtividade, maior taxa de retenção e melhor flexibilidade para colaboradores, enquanto
outras ainda defendem que o regime presencial é o que traz mais produtividade.
O que as pesquisas dizem
O híbrido bem desenhado não derruba a produtividade. Um experimento controlado sobre
o tema foi conduzido pelo economista Nicholas Bloom, de Stanford, e publicado na revista
Nature em 2024. Mais de 1.600 profissionais da Trip.com foram divididos por sorteio: metade
seguiu no escritório cinco dias por semana, metade passou a trabalhar dois dias em casa.
Resultado: o grupo híbrido foi tão produtivo e teve as mesmas chances de promoção que o
presencial. E os pedidos de demissão caíram 33%.
Na prática, o que pesa mais é como o trabalho é organizado, e não onde ele acontece.
Atividades que exigem concentração, autonomia e longos períodos de foco se beneficiam do
trabalho remoto. Em casa, o profissional pode ter menos interrupções e organizar sua rotina de
maneira mais flexível. E quem perdia duas horas por dia no trânsito ganha esse tempo de volta.
Por outro lado, existem atividades em que a interação presencial pode facilitar a comunicação,
a troca de ideias e a resolução de problemas.
Flexibilidade segura talentos
Um ponto importante encontrado no estudo com a empresa Trip.com foi a redução dos pedidos
de demissão entre os profissionais que passaram a trabalhar no modelo híbrido. A
produtividade não deve ser analisada apenas pela quantidade de tarefas realizadas ou pelas
horas trabalhadas. A capacidade de uma empresa de manter bons profissionais também gera
impacto significativo em seus resultados.
Um modelo mais flexível contribui para a satisfação e bem-estar dos colaboradores ao reduzir o
tempo gasto no deslocamento e permitir maior autonomia na organização da rotina. Isso não
significa que todos os profissionais prefiram trabalhar remotamente, mas mostra que oferecer
flexibilidade pode ser um fator relevante para determinados times.
Casa ou escritório? A pergunta está errada
A pergunta certa não é 'casa ou escritório?', e sim 'em que condições minha equipe entrega
mais? A discussão provavelmente não vai ser encerrada com a escolha de um único modelo. O
mercado de trabalho já mostrou que diferentes formatos podem funcionar dependendo do
contexto. As empresas precisam entender como o trabalho pode ser organizado para gerar
melhores resultados.
A experiência dos últimos anos mostrou que produtividade não depende exclusivamente de
uma mesa dentro de um escritório. Ela envolve tecnologia, processos, liderança, autonomia e
comunicação.
Entender quais condições cada modelo permite que profissionais e empresas tenham melhores
resultados, deve ser o ponto central desse debate.